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Escleroterapia com glicose: protocolo e indicações

A escleroterapia com glicose é a base do tratamento das telangiectasias, os vasos finos que compõem a classe C1 da classificação CEAP. O procedimento consiste em uma injeção: com agulha muito fina, a solução é aplicada dentro do vaso.

Não se trata de aplicação tópica ou de tratamento sem agulha. A solução precisa alcançar o interior do vaso para lesar o endotélio de forma controlada e provocar o seu fechamento gradual.

A eficácia e a segurança dependem de decisões técnicas: a concentração empregada, a escolha entre glicose e polidocanol conforme o calibre, o número e o intervalo das sessões e a prevenção da hiperpigmentação e do matting. Neste guia da MEF, você vai entender melhor esses critérios.

Olá, vim do site da Medicina em Foco e gostaria de mais informações sobre consulta com o Dr. João Maffei sobre escleroterapia com glicose: concentração e protocolo

O que é a escleroterapia com glicose?

Segundo a Mayo Clinic, a escleroterapia é indicada para o tratamento de telangiectasias e pequenas veias varicosas.

No caso desta técnica, a substância esclerosante, a glicose hipertônica, atua por desidratação celular. Ao entrar em contato com o endotélio, a solução concentrada atrai água para fora das células, provoca lesão da camada interna do vaso e desencadeia a esclerose da parede. 

O vaso tratado não é retirado. Ele se fecha, sofre fibrose e é reabsorvido ao longo de semanas, deixando de ser visível na superfície da pele. 

O procedimento é realizado com uma agulha muito fina, que injeta a glicose diretamente no interior do vaso. Não se trata de uma aplicação sobre a pele, mas de uma injeção intravascular. 

Onde a técnica com glicose é aplicada?

A escleroterapia com glicose é utilizada em vasos finos por duas razões objetivas. A glicose é uma substância fisiológica, com risco alérgico muito baixo, e a sua ação é limitada ao vaso em que foi injetada.

Convém repetir o ponto, porque a expectativa equivocada gera frustração na primeira sessão. Cada vaso recebe uma punção, e uma sessão pode reunir dezenas delas.

Além disso, a técnica com glicose não age sobre vasos que não foram puncionados. Ela trata o que a agulha alcança, e não a perna como um todo.

Essa característica define o planejamento. A área é dividida em setores, e cada sessão cobre a extensão compatível com o volume máximo de solução permitido.

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Concentração da glicose e escolha do esclerosante

A decisão sobre qual esclerosante empregar não é de preferência. Ela decorre do calibre do vaso, da sua profundidade e da resposta observada nas sessões anteriores.

Glicose hipertônica

A glicose hipertônica a 75 por cento é a concentração mais utilizada no tratamento das telangiectasias. Ela pode ser diluída conforme o calibre do vaso e a sensibilidade da região tratada.

Concentrações menores reduzem o ardor e o risco de lesão cutânea, mas exigem mais sessões. A escolha equilibra tolerância e eficácia, e não há vantagem em empregar a concentração máxima em todo vaso.

Na prática, uma mesma sessão de escleroterapia pode empregar concentrações distintas em regiões distintas da perna, conforme o calibre encontrado em cada território.

Polidocanol como agente esclerosante

O polidocanol é um agente detergente. Em vez de desidratar a célula, ele desorganiza a membrana do endotélio, e essa diferença de mecanismo tem consequência prática.

Ademais, a substância permite ser transformada em espuma, o que amplia o contato com a parede e o torna adequado a vasos de maior calibre. Ela também produz menos ardor durante a aplicação.

Em contrapartida, é uma substância exógena, isto é, que não é produzida pelo próprio corpo. Embora tenha um risco alérgico baixo, há um risco que não se deve desconsiderar. A escleroterapia com glicose não apresenta esse risco, e essa é a razão de permanecer como agente de escolha nos vasos finos.

Seleção por calibre

A seleção do esclerosante por calibre do vaso é o critério que organiza toda a decisão. Vasos muito finos, superficiais, respondem bem à glicose; vasos reticulares e de maior calibre pedem agentes detergentes.

Critério Glicose hipertônica Polidocanol
Mecanismo Desidratação osmótica do endotélio Ação detergente sobre a membrana celular
Calibre-alvo Telangiectasias finas, superficiais Vasos reticulares e de maior calibre
Forma de uso Solução líquida, diluível Líquido ou espuma
Vantagens Risco alérgico muito baixo, ação restrita ao vaso Menos ardor, permite espuma
Limitações Ardor na aplicação, risco de lesão ao extravasar Risco alérgico, embora baixo

A escolha, portanto, não é entre um agente bom e um ruim. A escleroterapia com glicose e o polidocanol ocupam faixas de calibre distintas, e o mesmo paciente pode receber os dois na mesma perna. 

A definição do esclerosante é feita após a avaliação do calibre dos vasos, da sua localização e dos objetivos do tratamento. Em muitos casos, diferentes agentes podem ser combinados para alcançar um resultado mais seguro e eficaz. Descubra qual protocolo de escleroterapia é mais indicado para o seu caso.

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Indicações por grau CEAP

O estadiamento define o alvo do tratamento. O consenso CEAP 2020 organiza a doença venosa em classes de C0 a C6, com subclasses para as alterações de pele e um modificador para as recidivas.

Telangiectasias e vasos reticulares

A classe C1 reúne as telangiectasias classe C1 da CEAP e as veias reticulares. É a faixa em que a escleroterapia com glicose encontra a sua indicação mais direta.

Os vasos têm calibre reduzido e localização superficial, o que favorece a aplicação com agulha fina e a resposta ao agente osmótico.

As veias reticulares, azuladas e de calibre intermediário, frequentemente alimentam as telangiectasias visíveis. Tratá-las na mesma sessão melhora o resultado da escleroterapia com glicose e reduz a recidiva precoce.

Quando a glicose não resolve?

Vasos tronculares, com refluxo de safena documentado, não respondem à escleroterapia com glicose. O agente não alcança o calibre necessário, e a aplicação em veia calibrosa é ineficaz e desnecessária.

Nesses casos, a indicação recai sobre a espuma esclerosante guiada por ultrassom ou sobre a ablação térmica do tronco safeno, conforme o calibre e o padrão do refluxo.

A insuficiência venosa de base

Este é o erro mais comum na indicação. Tratar os vasinhos sem investigar o refluxo que os alimenta produz recidiva precoce e frustração.

A avaliação com eco-Doppler precede a escleroterapia com glicose sempre que houver sintomas, veias calibrosas visíveis ou histórico familiar relevante. Corrigida a origem, os vasos finos respondem melhor e recidivam menos.

Nem todo vasinho deve ser tratado da mesma forma. Faça uma avaliação e descubra qual técnica oferece o melhor resultado para o seu caso.

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Como é o protocolo de sessões?

O planejamento antecede a primeira punção. Ele considera a extensão da área acometida, o calibre predominante e a presença de refluxo associado.

Número de sessões

O número de sessões de escleroterapia varia com o calibre, o volume de vasos e a resposta individual. Não existe um total fixo, e prometer um número na primeira consulta é impreciso.

Vasos finos e pouco numerosos podem resolver-se em poucas sessões. Pernas com telangiectasias difusas exigem um programa mais longo, com reavaliação periódica.

O que se estima na consulta é a ordem de grandeza, e não um número exato. A resposta à escleroterapia com glicose varia entre pacientes com padrões de vasos semelhantes.

Intervalo entre sessões

O intervalo respeita a resolução da reação inflamatória e da equimose provocadas pela sessão anterior. Aplicar sobre um vaso ainda em processo de esclerose não acelera o resultado.

A área tratada é reavaliada a cada retorno. A escleroterapia com glicose é um tratamento progressivo, e o clareamento ocorre entre as sessões, não durante elas.

Como é a aplicação?

A punção é feita com agulha muito fina, sob boa iluminação e, quando necessário, com auxílio de transiluminação. Cada vaso recebe pequeno volume de solução. A sensação é de ardor passageiro, mais intenso com a glicose do que com o polidocanol. Ela cessa em segundos e não exige anestesia.

Uma sessão típica reúne dezenas de punções, distribuídas pela área tratada. O volume total aplicado é limitado por sessão, o que também explica a necessidade de várias delas.

Ao final, a compressão elástica é orientada conforme a extensão tratada. Ela reduz o extravasamento de hemácias e, com isso, a chance de pigmentação residual.

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Efeitos adversos e como são manejados

Nenhum procedimento intravascular é isento de eventos adversos. Descrevê-los antes da primeira sessão é parte da indicação.

Hiperpigmentação

A hiperpigmentação decorre do depósito de hemossiderina na derme, resultante da degradação da hemoglobina extravasada do vaso tratado. Ela aparece como uma linha acastanhada sobre o trajeto do vaso.

O manejo da hiperpigmentação pós-escleroterapia começa pela prevenção: volume adequado por punção, evitar pressão excessiva e proteger a área da radiação solar.

Instalada, a mancha regride de forma espontânea na maioria dos casos, em prazo que se conta em meses. A drenagem de coágulos residuais e a fotoproteção estrita aceleram esse processo.

É importante distinguir a pigmentação do vaso não tratado. A linha acastanhada acompanha o trajeto do vaso que respondeu à escleroterapia com glicose, e desaparece com ele.

A exposição solar durante o tratamento é o fator modificável mais relevante. Ela prolonga a mancha e compromete o resultado estético final.

Matting telangiectásico

O matting telangiectásico após a aplicação consiste no surgimento de vasos finíssimos, avermelhados, no território tratado. É uma neovascularização reativa, e não uma recidiva do vaso original.

O risco aumenta com concentrações elevadas, volume excessivo por punção e tratamento de vasos alimentados por refluxo não corrigido. Reduzir o volume e investigar a origem hemodinâmica são as medidas mais eficazes.

A maior parte dos casos regride ao longo de meses. Nos persistentes, a conduta varia entre observação e tratamento com laser transdérmico.

O matting é mais frequente em mulheres, em regiões de coxa e em pacientes com refluxo não corrigido. Investigar a hemodinâmica antes da escleroterapia com glicose reduz a sua ocorrência.

Extravasamento e necrose cutânea

Este é o risco técnico que exige mais rigor. A glicose hipertônica, se depositada fora do vaso, na derme, provoca lesão tecidual que pode evoluir para necrose e cicatriz.

A prevenção é técnica: certificar-se do posicionamento intravascular da agulha, aplicar volumes pequenos e interromper a injeção diante de resistência ou de esbranquiçamento imediato da pele.

O sinal de alerta é a dor desproporcional durante a aplicação, acompanhada de palidez local. Interrompida a injeção, a área é acompanhada de perto nos dias seguintes.

A necrose é um evento raro na escleroterapia com glicose quando bem indicada e executada. A sua prevenção depende inteiramente da técnica aplicada.

Glicose ou polidocanol: qual pigmenta mais?

Ambos os agentes podem produzir hiperpigmentação, porque o mecanismo do depósito de hemossiderina não é próprio de nenhum deles. Ele decorre do extravasamento de hemácias do vaso tratado.

O que reduz o risco é a técnica e a seleção correta do calibre, mais do que a substância escolhida. Aplicar um agente potente em vaso fino aumenta a pigmentação, qualquer que seja ele.

Pacientes de fototipo mais alto pigmentam com mais facilidade, e essa característica orienta a concentração empregada e a fotoproteção recomendada.

A escolha do esclerosante e da técnica influencia diretamente a segurança e o resultado do tratamento. Faça uma avaliação para definir a melhor abordagem para os seus vasos. 

Acompanhamento pós escleroterapia com espuma com Cirurgião Vascular

Resultado e acompanhamento

O clareamento é progressivo. O vaso tratado escurece nos primeiros dias, torna-se menos nítido ao longo de semanas e desaparece em prazo que varia com o calibre.

O resultado é avaliado entre as sessões, e não ao final de cada uma. Fotografias padronizadas ajudam a documentar a evolução e substituem a impressão subjetiva.

Vasos que não responderam a duas aplicações merecem reavaliação, e não insistência. A ausência de resposta à escleroterapia com glicose sugere calibre inadequado ao agente ou refluxo não tratado.

A pigmentação residual costuma ser a última alteração a resolver-se. A escleroterapia com glicose produz o seu resultado final meses após a última aplicação, e essa expectativa deve estar ajustada desde a primeira consulta.

Como descreve a Cleveland Clinic, a retomada das atividades é imediata, com uso de compressão elástica conforme a orientação recebida.

Instituto Medicina em Foco e o tratamento das telangiectasias

O Instituto Medicina em Foco dispõe, em São Paulo, de equipe de Cirurgia Vascular e de estrutura para o mapeamento venoso por eco-Doppler, exame que identifica o refluxo por trás dos vasos finos.

A avaliação no Instituto define o esclerosante, a concentração e o número estimado de sessões a partir do calibre dos vasos e da presença de insuficiência venosa associada.

Além da Cirurgia Vascular, o Instituto reúne outras áreas clínicas em São Paulo, SP, o que permite conduzir pacientes cujas condições associadas influenciam a escolha do agente ou o momento do tratamento.

O Dr. João Maffei e a escleroterapia com glicose

O Dr. João Maffei (CRM-SP 97736 | RQE 27653 / 27652), Angiologista e Cirurgião Vascular, avalia o calibre e a distribuição dos vasos antes de definir o agente esclerosante e o programa de sessões.

A investigação de refluxo associado ao eco-Doppler antecede a indicação sempre que há sintomas ou veias calibrosas. O Dr. João Maffei também conduz o manejo da hiperpigmentação e do matting quando ocorrem.

Pacientes atendidos em São Paulo recebem, na avaliação, a estimativa de resposta esperada para o seu padrão de vasos, antes do início do tratamento. Conheça um pouco mais sobre a sua formação.

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Se você tem vasinhos nas pernas e quer entender qual tratamento se aplica ao seu caso, a avaliação vascular define o agente e o protocolo adequados. O contato pode ser feito pelo telefone ou WhatsApp para consultas presenciais em São Paulo ou por teleconsulta para todo o Brasil.

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As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.​​

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Conteúdo atualizado em 21 de julho de 2026.

FAQ – Dúvidas frequentes sobre escleroterapia com glicose: protocolo e indicações

1. Qual a concentração ideal de glicose hipertônica para telangiectasias?

A concentração a 75% é a mais utilizada, com diluições conforme o calibre do vaso. A escolha equilibra tolerância ao ardor e eficácia da esclerose.

2. Glicose 75% ou polidocanol: qual esclerosante escolher por calibre?

A glicose atende aos vasos mais finos e superficiais. O polidocanol, agente detergente, é preferido em vasos reticulares e de maior calibre.

3. Como tratar a hiperpigmentação após escleroterapia com glicose?

A maior parte regride de forma espontânea em meses. A conduta reúne fotoproteção estrita, drenagem de coágulos residuais e acompanhamento periódico.

4. O que é matting telangiectásico e por que surge após escleroterapia?

É o surgimento de vasos finíssimos no território tratado, por neovascularização reativa. Associa-se a volume excessivo e a refluxo de base não corrigido.

5. Quantas sessões de escleroterapia por calibre do vaso na classe C1?

Não há número fixo. Depende do calibre, do volume de vasos e da resposta individual, avaliada entre as sessões.

6. Extravasamento de glicose hipertônica pode causar necrose de pele?

Pode. A solução depositada fora do vaso lesa o tecido. A prevenção é técnica: posicionamento intravascular confirmado e volumes pequenos por punção.

7. Qual o intervalo recomendado entre sessões de escleroterapia com glicose?

O intervalo aguarda a resolução da reação inflamatória e da equimose. Aplicar sobre vaso ainda em esclerose não acelera o resultado.

8. Esclerosante para vasinhos menores que 1 mm: qual indicar?

Vasos muito finos e superficiais respondem à glicose hipertônica, em concentração ajustada. O agente detergente se reserva a calibres maiores.

9. Escleroterapia com glicose em quais graus CEAP é indicada?

Na classe C1, das telangiectasias e veias reticulares. Vasos tronculares com refluxo pedem espuma ecoguiada ou ablação térmica.

10. Qual a diferença de risco de hiperpigmentação entre glicose e polidocanol?

Ambos podem pigmentar, porque o depósito de hemossiderina decorre do extravasamento de hemácias. A técnica e o calibre pesam mais que o agente.