A escleroterapia com glicose é a base do tratamento das telangiectasias, os vasos finos que compõem a classe C1 da classificação CEAP. O procedimento consiste em uma injeção: com agulha muito fina, a solução é aplicada dentro do vaso.
Não se trata de aplicação tópica ou de tratamento sem agulha. A solução precisa alcançar o interior do vaso para lesar o endotélio de forma controlada e provocar o seu fechamento gradual.
A eficácia e a segurança dependem de decisões técnicas: a concentração empregada, a escolha entre glicose e polidocanol conforme o calibre, o número e o intervalo das sessões e a prevenção da hiperpigmentação e do matting. Neste guia da MEF, você vai entender melhor esses critérios.
O que é a escleroterapia com glicose?
Segundo a Mayo Clinic, a escleroterapia é indicada para o tratamento de telangiectasias e pequenas veias varicosas.
No caso desta técnica, a substância esclerosante, a glicose hipertônica, atua por desidratação celular. Ao entrar em contato com o endotélio, a solução concentrada atrai água para fora das células, provoca lesão da camada interna do vaso e desencadeia a esclerose da parede.
O vaso tratado não é retirado. Ele se fecha, sofre fibrose e é reabsorvido ao longo de semanas, deixando de ser visível na superfície da pele.
O procedimento é realizado com uma agulha muito fina, que injeta a glicose diretamente no interior do vaso. Não se trata de uma aplicação sobre a pele, mas de uma injeção intravascular.
Onde a técnica com glicose é aplicada?
A escleroterapia com glicose é utilizada em vasos finos por duas razões objetivas. A glicose é uma substância fisiológica, com risco alérgico muito baixo, e a sua ação é limitada ao vaso em que foi injetada.
Convém repetir o ponto, porque a expectativa equivocada gera frustração na primeira sessão. Cada vaso recebe uma punção, e uma sessão pode reunir dezenas delas.
Além disso, a técnica com glicose não age sobre vasos que não foram puncionados. Ela trata o que a agulha alcança, e não a perna como um todo.
Essa característica define o planejamento. A área é dividida em setores, e cada sessão cobre a extensão compatível com o volume máximo de solução permitido.
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Concentração da glicose e escolha do esclerosante
A decisão sobre qual esclerosante empregar não é de preferência. Ela decorre do calibre do vaso, da sua profundidade e da resposta observada nas sessões anteriores.
Glicose hipertônica
A glicose hipertônica a 75 por cento é a concentração mais utilizada no tratamento das telangiectasias. Ela pode ser diluída conforme o calibre do vaso e a sensibilidade da região tratada.
Concentrações menores reduzem o ardor e o risco de lesão cutânea, mas exigem mais sessões. A escolha equilibra tolerância e eficácia, e não há vantagem em empregar a concentração máxima em todo vaso.
Na prática, uma mesma sessão de escleroterapia pode empregar concentrações distintas em regiões distintas da perna, conforme o calibre encontrado em cada território.
Polidocanol como agente esclerosante
O polidocanol é um agente detergente. Em vez de desidratar a célula, ele desorganiza a membrana do endotélio, e essa diferença de mecanismo tem consequência prática.
Ademais, a substância permite ser transformada em espuma, o que amplia o contato com a parede e o torna adequado a vasos de maior calibre. Ela também produz menos ardor durante a aplicação.
Em contrapartida, é uma substância exógena, isto é, que não é produzida pelo próprio corpo. Embora tenha um risco alérgico baixo, há um risco que não se deve desconsiderar. A escleroterapia com glicose não apresenta esse risco, e essa é a razão de permanecer como agente de escolha nos vasos finos.
Seleção por calibre
A seleção do esclerosante por calibre do vaso é o critério que organiza toda a decisão. Vasos muito finos, superficiais, respondem bem à glicose; vasos reticulares e de maior calibre pedem agentes detergentes.
| Critério | Glicose hipertônica | Polidocanol |
|---|---|---|
| Mecanismo | Desidratação osmótica do endotélio | Ação detergente sobre a membrana celular |
| Calibre-alvo | Telangiectasias finas, superficiais | Vasos reticulares e de maior calibre |
| Forma de uso | Solução líquida, diluível | Líquido ou espuma |
| Vantagens | Risco alérgico muito baixo, ação restrita ao vaso | Menos ardor, permite espuma |
| Limitações | Ardor na aplicação, risco de lesão ao extravasar | Risco alérgico, embora baixo |
A escolha, portanto, não é entre um agente bom e um ruim. A escleroterapia com glicose e o polidocanol ocupam faixas de calibre distintas, e o mesmo paciente pode receber os dois na mesma perna.
A definição do esclerosante é feita após a avaliação do calibre dos vasos, da sua localização e dos objetivos do tratamento. Em muitos casos, diferentes agentes podem ser combinados para alcançar um resultado mais seguro e eficaz. Descubra qual protocolo de escleroterapia é mais indicado para o seu caso.
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Indicações por grau CEAP
O estadiamento define o alvo do tratamento. O consenso CEAP 2020 organiza a doença venosa em classes de C0 a C6, com subclasses para as alterações de pele e um modificador para as recidivas.
Telangiectasias e vasos reticulares
A classe C1 reúne as telangiectasias classe C1 da CEAP e as veias reticulares. É a faixa em que a escleroterapia com glicose encontra a sua indicação mais direta.
Os vasos têm calibre reduzido e localização superficial, o que favorece a aplicação com agulha fina e a resposta ao agente osmótico.
As veias reticulares, azuladas e de calibre intermediário, frequentemente alimentam as telangiectasias visíveis. Tratá-las na mesma sessão melhora o resultado da escleroterapia com glicose e reduz a recidiva precoce.
Quando a glicose não resolve?
Vasos tronculares, com refluxo de safena documentado, não respondem à escleroterapia com glicose. O agente não alcança o calibre necessário, e a aplicação em veia calibrosa é ineficaz e desnecessária.
Nesses casos, a indicação recai sobre a espuma esclerosante guiada por ultrassom ou sobre a ablação térmica do tronco safeno, conforme o calibre e o padrão do refluxo.
A insuficiência venosa de base
Este é o erro mais comum na indicação. Tratar os vasinhos sem investigar o refluxo que os alimenta produz recidiva precoce e frustração.
A avaliação com eco-Doppler precede a escleroterapia com glicose sempre que houver sintomas, veias calibrosas visíveis ou histórico familiar relevante. Corrigida a origem, os vasos finos respondem melhor e recidivam menos.
Nem todo vasinho deve ser tratado da mesma forma. Faça uma avaliação e descubra qual técnica oferece o melhor resultado para o seu caso.
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Como é o protocolo de sessões?
O planejamento antecede a primeira punção. Ele considera a extensão da área acometida, o calibre predominante e a presença de refluxo associado.
Número de sessões
O número de sessões de escleroterapia varia com o calibre, o volume de vasos e a resposta individual. Não existe um total fixo, e prometer um número na primeira consulta é impreciso.
Vasos finos e pouco numerosos podem resolver-se em poucas sessões. Pernas com telangiectasias difusas exigem um programa mais longo, com reavaliação periódica.
O que se estima na consulta é a ordem de grandeza, e não um número exato. A resposta à escleroterapia com glicose varia entre pacientes com padrões de vasos semelhantes.
Intervalo entre sessões
O intervalo respeita a resolução da reação inflamatória e da equimose provocadas pela sessão anterior. Aplicar sobre um vaso ainda em processo de esclerose não acelera o resultado.
A área tratada é reavaliada a cada retorno. A escleroterapia com glicose é um tratamento progressivo, e o clareamento ocorre entre as sessões, não durante elas.
Como é a aplicação?
A punção é feita com agulha muito fina, sob boa iluminação e, quando necessário, com auxílio de transiluminação. Cada vaso recebe pequeno volume de solução. A sensação é de ardor passageiro, mais intenso com a glicose do que com o polidocanol. Ela cessa em segundos e não exige anestesia.
Uma sessão típica reúne dezenas de punções, distribuídas pela área tratada. O volume total aplicado é limitado por sessão, o que também explica a necessidade de várias delas.
Ao final, a compressão elástica é orientada conforme a extensão tratada. Ela reduz o extravasamento de hemácias e, com isso, a chance de pigmentação residual.
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Efeitos adversos e como são manejados
Nenhum procedimento intravascular é isento de eventos adversos. Descrevê-los antes da primeira sessão é parte da indicação.
Hiperpigmentação
A hiperpigmentação decorre do depósito de hemossiderina na derme, resultante da degradação da hemoglobina extravasada do vaso tratado. Ela aparece como uma linha acastanhada sobre o trajeto do vaso.
O manejo da hiperpigmentação pós-escleroterapia começa pela prevenção: volume adequado por punção, evitar pressão excessiva e proteger a área da radiação solar.
Instalada, a mancha regride de forma espontânea na maioria dos casos, em prazo que se conta em meses. A drenagem de coágulos residuais e a fotoproteção estrita aceleram esse processo.
É importante distinguir a pigmentação do vaso não tratado. A linha acastanhada acompanha o trajeto do vaso que respondeu à escleroterapia com glicose, e desaparece com ele.
A exposição solar durante o tratamento é o fator modificável mais relevante. Ela prolonga a mancha e compromete o resultado estético final.
Matting telangiectásico
O matting telangiectásico após a aplicação consiste no surgimento de vasos finíssimos, avermelhados, no território tratado. É uma neovascularização reativa, e não uma recidiva do vaso original.
O risco aumenta com concentrações elevadas, volume excessivo por punção e tratamento de vasos alimentados por refluxo não corrigido. Reduzir o volume e investigar a origem hemodinâmica são as medidas mais eficazes.
A maior parte dos casos regride ao longo de meses. Nos persistentes, a conduta varia entre observação e tratamento com laser transdérmico.
O matting é mais frequente em mulheres, em regiões de coxa e em pacientes com refluxo não corrigido. Investigar a hemodinâmica antes da escleroterapia com glicose reduz a sua ocorrência.
Extravasamento e necrose cutânea
Este é o risco técnico que exige mais rigor. A glicose hipertônica, se depositada fora do vaso, na derme, provoca lesão tecidual que pode evoluir para necrose e cicatriz.
A prevenção é técnica: certificar-se do posicionamento intravascular da agulha, aplicar volumes pequenos e interromper a injeção diante de resistência ou de esbranquiçamento imediato da pele.
O sinal de alerta é a dor desproporcional durante a aplicação, acompanhada de palidez local. Interrompida a injeção, a área é acompanhada de perto nos dias seguintes.
A necrose é um evento raro na escleroterapia com glicose quando bem indicada e executada. A sua prevenção depende inteiramente da técnica aplicada.
Glicose ou polidocanol: qual pigmenta mais?
Ambos os agentes podem produzir hiperpigmentação, porque o mecanismo do depósito de hemossiderina não é próprio de nenhum deles. Ele decorre do extravasamento de hemácias do vaso tratado.
O que reduz o risco é a técnica e a seleção correta do calibre, mais do que a substância escolhida. Aplicar um agente potente em vaso fino aumenta a pigmentação, qualquer que seja ele.
Pacientes de fototipo mais alto pigmentam com mais facilidade, e essa característica orienta a concentração empregada e a fotoproteção recomendada.
A escolha do esclerosante e da técnica influencia diretamente a segurança e o resultado do tratamento. Faça uma avaliação para definir a melhor abordagem para os seus vasos.
Acompanhamento pós escleroterapia com espuma com Cirurgião Vascular
Resultado e acompanhamento
O clareamento é progressivo. O vaso tratado escurece nos primeiros dias, torna-se menos nítido ao longo de semanas e desaparece em prazo que varia com o calibre.
O resultado é avaliado entre as sessões, e não ao final de cada uma. Fotografias padronizadas ajudam a documentar a evolução e substituem a impressão subjetiva.
Vasos que não responderam a duas aplicações merecem reavaliação, e não insistência. A ausência de resposta à escleroterapia com glicose sugere calibre inadequado ao agente ou refluxo não tratado.
A pigmentação residual costuma ser a última alteração a resolver-se. A escleroterapia com glicose produz o seu resultado final meses após a última aplicação, e essa expectativa deve estar ajustada desde a primeira consulta.
Como descreve a Cleveland Clinic, a retomada das atividades é imediata, com uso de compressão elástica conforme a orientação recebida.
Instituto Medicina em Foco e o tratamento das telangiectasias
O Instituto Medicina em Foco dispõe, em São Paulo, de equipe de Cirurgia Vascular e de estrutura para o mapeamento venoso por eco-Doppler, exame que identifica o refluxo por trás dos vasos finos.
A avaliação no Instituto define o esclerosante, a concentração e o número estimado de sessões a partir do calibre dos vasos e da presença de insuficiência venosa associada.
Além da Cirurgia Vascular, o Instituto reúne outras áreas clínicas em São Paulo, SP, o que permite conduzir pacientes cujas condições associadas influenciam a escolha do agente ou o momento do tratamento.
O Dr. João Maffei e a escleroterapia com glicose
O Dr. João Maffei (CRM-SP 97736 | RQE 27653 / 27652), Angiologista e Cirurgião Vascular, avalia o calibre e a distribuição dos vasos antes de definir o agente esclerosante e o programa de sessões.
A investigação de refluxo associado ao eco-Doppler antecede a indicação sempre que há sintomas ou veias calibrosas. O Dr. João Maffei também conduz o manejo da hiperpigmentação e do matting quando ocorrem.
Pacientes atendidos em São Paulo recebem, na avaliação, a estimativa de resposta esperada para o seu padrão de vasos, antes do início do tratamento. Conheça um pouco mais sobre a sua formação.
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Se você tem vasinhos nas pernas e quer entender qual tratamento se aplica ao seu caso, a avaliação vascular define o agente e o protocolo adequados. O contato pode ser feito pelo telefone ou WhatsApp para consultas presenciais em São Paulo ou por teleconsulta para todo o Brasil.
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As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.
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Conteúdo atualizado em 21 de julho de 2026.
FAQ – Dúvidas frequentes sobre escleroterapia com glicose: protocolo e indicações
1. Qual a concentração ideal de glicose hipertônica para telangiectasias?
A concentração a 75% é a mais utilizada, com diluições conforme o calibre do vaso. A escolha equilibra tolerância ao ardor e eficácia da esclerose.
2. Glicose 75% ou polidocanol: qual esclerosante escolher por calibre?
A glicose atende aos vasos mais finos e superficiais. O polidocanol, agente detergente, é preferido em vasos reticulares e de maior calibre.
3. Como tratar a hiperpigmentação após escleroterapia com glicose?
A maior parte regride de forma espontânea em meses. A conduta reúne fotoproteção estrita, drenagem de coágulos residuais e acompanhamento periódico.
4. O que é matting telangiectásico e por que surge após escleroterapia?
É o surgimento de vasos finíssimos no território tratado, por neovascularização reativa. Associa-se a volume excessivo e a refluxo de base não corrigido.
5. Quantas sessões de escleroterapia por calibre do vaso na classe C1?
Não há número fixo. Depende do calibre, do volume de vasos e da resposta individual, avaliada entre as sessões.
6. Extravasamento de glicose hipertônica pode causar necrose de pele?
Pode. A solução depositada fora do vaso lesa o tecido. A prevenção é técnica: posicionamento intravascular confirmado e volumes pequenos por punção.
7. Qual o intervalo recomendado entre sessões de escleroterapia com glicose?
O intervalo aguarda a resolução da reação inflamatória e da equimose. Aplicar sobre vaso ainda em esclerose não acelera o resultado.
8. Esclerosante para vasinhos menores que 1 mm: qual indicar?
Vasos muito finos e superficiais respondem à glicose hipertônica, em concentração ajustada. O agente detergente se reserva a calibres maiores.
9. Escleroterapia com glicose em quais graus CEAP é indicada?
Na classe C1, das telangiectasias e veias reticulares. Vasos tronculares com refluxo pedem espuma ecoguiada ou ablação térmica.
10. Qual a diferença de risco de hiperpigmentação entre glicose e polidocanol?
Ambos podem pigmentar, porque o depósito de hemossiderina decorre do extravasamento de hemácias. A técnica e o calibre pesam mais que o agente.