Especialista em doença celíaca | Dra. Sabrina Figueiredo | São Paulo
Por que o diagnóstico da doença celíaca depende da ordem certa entre exames e retirada do glúten.
“Muita gente chega já sem glúten, antes de qualquer exame. Prefiro dosar o anticorpo antitransglutaminase (marcador que sobe com o glúten) mantendo a dieta habitual. Sem glúten, o exame pode vir falsamente negativo.”— Dra. Sabrina de Figueiredo
CRM 203753RQE 99224Gastroenterologia
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Sociedades médicas
- Membro da European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO) · Membro do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB)
Áreas de atuação
- Gastroenterologia
Gastroenterologia
Acompanho cada paciente além do resultado da biópsia, porque a doença continua no prato todos os dias, pela vida inteira.— Dra. Sabrina de Figueiredo
Quem procura um especialista em doença celíaca em São Paulo costuma chegar com exames soltos e muitas dúvidas sobre o que comer. Sou o Dra. Sabrina de Figueiredo, Gastroenterologia do corpo clínico do Instituto Medicina em Foco. No consultório, organizo a história clínica, os resultados anteriores e a lista de sintomas antes de pedir qualquer exame novo.
Depois do diagnóstico, a consulta passa a tratar da rotina com a dieta sem glúten. Falamos de restaurantes, viagens, festas de família e da conversa com a escola quando a criança tem a doença. Quando um sintoma volta, investigamos se é glúten escondido no prato ou outra causa digestiva que pede atenção própria.
Como funciona
Passo a passo
- 1Primeira consultaSintomas, exames antigos e histórico familiar são revisados enquanto o paciente ainda mantém o glúten na dieta.
- 2Exame de sangueO sangue é testado para antitransglutaminase e IgA total (anticorpo de referência que mostra se o teste é confiável).
- 3Endoscopia com biópsiaCom sorologia positiva, a endoscopia retira fragmentos do duodeno (primeira parte do intestino delgado) para análise das vilosidades.
- 4Dieta sem glútenSó após o laudo começa a retirada do glúten, com apoio de nutricionista para montar cardápio e compras.
- 5Exames complementaresTambém são checados ferro, vitamina D e densidade óssea, além do rastreio dos parentes de primeiro grau.
- 6ReavaliaçãoApós alguns meses de dieta, nova sorologia mostra se os anticorpos caíram ou se ainda há glúten escondido.
Especialista em doença celíaca: qual médico procurar primeiro?
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O gastroenterologista conduz a investigação do começo ao fim, da sorologia à leitura da biópsia do duodeno. O clínico geral ou o médico de família costuma levantar a primeira suspeita, diante de anemia sem causa, diarreia ou cansaço persistente.
Em adultos e em crianças
Em crianças, quem investiga é o gastropediatra (pediatra com formação em aparelho digestivo). Os sinais costumam ser baixa estatura, barriga distendida, irritabilidade e ganho de peso abaixo do esperado. Em adultos, o quadro é mais discreto e aparece só como anemia, aftas de repetição ou alteração das enzimas do fígado.A orientação da Federação Brasileira de Gastroenterologia é confirmar a doença antes de retirar o glúten da dieta. Com sorologia positiva, o passo seguinte é a endoscopia (exame que avalia esôfago, estômago e duodeno) com biópsia. Em crianças com anticorpos muito altos, o gastropediatra pode discutir o diagnóstico sem biópsia, por critérios pediátricos próprios.Outros profissionais no cuidado
No consultório, costumo dividir o acompanhamento com outros profissionais. O nutricionista ensina a dieta, o dermatologista avalia a dermatite herpetiforme e o endocrinologista acompanha a perda óssea. Sintomas que persistem com a dieta correta voltam ao gastroenterologista para nova investigação.Sinais que justificam investigar a doença celíaca
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A diarreia crônica (que dura mais de quatro semanas) é o sinal mais conhecido. Mas muitos adultos têm apenas gases, estufamento e prisão de ventre. Esse conjunto lembra a síndrome do intestino irritável (distúrbio funcional sem lesão visível), e a confusão pode atrasar o diagnóstico.
Sinais fora do intestino
A anemia ferropriva (falta de ferro no sangue) que não melhora com suplemento é um alerta comum em adultos. Osteoporose (ossos frágeis e porosos) antes da menopausa, aftas na boca e cansaço sem explicação também entram na lista. Na pele, a dermatite herpetiforme (bolhas pequenas que coçam muito, em cotovelos e joelhos) é praticamente exclusiva da doença.Alteração das enzimas do fígado, infertilidade e abortos de repetição sem causa definida também podem ter origem na doença.Quem tem risco maior
Parentes de primeiro grau, pessoas com diabetes tipo 1 e com tireoidite de Hashimoto (inflamação autoimune da tireoide) têm risco aumentado. O mesmo vale para quem tem síndrome de Down, síndrome de Turner (alteração cromossômica em meninas) ou deficiência de IgA. Nesses grupos, sociedades médicas recomendam testar mesmo sem sintomas; informações gerais estão no portal da Organização Mundial da Saúde.Sintomas leves que vão e voltam também contam. Um diário com datas, refeições e queixas ajuda o especialista em doença celíaca a ligar cada sinal à alimentação.
Por que não cortar o glúten antes dos exames
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O exame de sangue mede anticorpos que o corpo produz em resposta ao glúten ingerido. Sem glúten no prato, essa produção diminui em semanas e o laudo pode sair normal com a doença presente.Sem diagnóstico firmado, a pessoa pode manter uma dieta restrita por anos sem saber se precisa dela. Também fica sem resposta a dúvida sobre testar pais, irmãos e filhos.
O que muda na biópsia
A biópsia procura atrofia (achatamento) das vilosidades e excesso de linfócitos (células de defesa) na mucosa (revestimento interno) do duodeno. Com a dieta sem glúten, essa lesão começa a regredir. O patologista (médico que examina o tecido ao microscópio) pode então receber uma amostra quase normal.Quando o glúten já saiu do prato
O teste genético não sofre efeito da dieta, porque mede marcadores herdados. Com resultado negativo, a doença fica muito improvável. O resultado positivo só indica predisposição, presente em boa parte das pessoas sem a doença.Quem já retirou o glúten não precisa repetir exames às cegas. O especialista em doença celíaca pode propor o teste de provocação (volta controlada do glúten por algumas semanas). Depois vêm nova sorologia e endoscopia (exame que avalia esôfago, estômago), que também identifica problemas como a úlcera duodenal e seu tratamento.Esta seção foi revisada contra Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença.Exames de sangue, endoscopia e biópsia: como o diagnóstico é confirmado
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A sorologia começa pela antitransglutaminase IgA, dosada junto com a IgA total. Com IgA total baixa, o laboratório usa testes IgG (outra classe de anticorpo), como a antigliadina deamidada (marcador ligado ao glúten). O antiendomísio (anticorpo mais específico, lido ao microscópio) ajuda a confirmar resultados duvidosos.
Quando a endoscopia com biópsia entra
Com anticorpo positivo, o especialista em doença celíaca pede a endoscopia digestiva alta. O médico retira vários fragmentos do duodeno, inclusive do bulbo (porção logo após o estômago), porque a lesão aparece em placas. A mesma endoscopia pode achar úlcera gástrica (ferida na parede do estômago), detalhada neste guia sobre úlcera no estômago.Como o laudo é lido
O patologista descreve a lesão pela classificação de Marsh (escala que gradua o dano às vilosidades). Anticorpo positivo com atrofia confirma o diagnóstico. Quando sangue e biópsia discordam, a revisão das lâminas e uma nova sorologia costumam esclarecer o caso.Atrofia parecida pode surgir na giardíase (infecção por um parasita do intestino) e com a olmesartana (remédio para pressão alta). Por isso o laudo é lido junto com a sorologia e a história clínica.Esta seção foi revisada contra PORTARIA Nº 8.Doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten?
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A doença celíaca é autoimune (o sistema de defesa ataca o próprio corpo) e deixa marcas no sangue e no duodeno. Já a alergia ao trigo envolve o anticorpo IgE (anticorpo das reações alérgicas). A sensibilidade ao glúten não celíaca causa sintomas reais, mas sem anticorpo específico nem lesão no intestino.
Como cada uma é investigada
Na alergia ao trigo, o alergista usa o teste cutâneo (gotas de extrato de trigo na pele) e a IgE sanguínea. Os sintomas surgem em minutos ou poucas horas: urticária (placas vermelhas que coçam), inchaço, chiado no peito ou vômitos. Há uma forma ligada ao esforço, a anafilaxia induzida por exercício (reação grave que aparece com atividade física após comer trigo).Na sensibilidade não celíaca, a sorologia e a biópsia vêm normais e o diagnóstico é de exclusão (afastar as outras causas primeiro). Parte desses pacientes reage aos frutanos (açúcares do trigo que fermentam no intestino), e não ao glúten. Estufamento e azia podem vir do refluxo gastroesofágico (retorno do conteúdo do estômago para o esôfago), descrito na avaliação do refluxo ácido.Por que a distinção muda o tratamento
Na doença celíaca, o glúten sai do cardápio pela vida toda, inclusive em traços e na contaminação cruzada. Na alergia ao trigo, a restrição atinge o trigo, enquanto cevada e centeio costumam ser tolerados.Na sensibilidade não celíaca, a quantidade tolerada varia de pessoa para pessoa, e muitas convivem com pequenas porções. O especialista em doença celíaca também considera a esofagite eosinofílica (inflamação alérgica do esôfago), que dificulta engolir. O trigo pode ser um dos gatilhos, como explica o texto sobre investigação da esofagite eosinofílica.Gastroenterologista e nutricionista: o que cabe a cada um depois do diagnóstico
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O gastroenterologista acompanha a resposta do intestino ao tratamento. Ele repete a antitransglutaminase (anticorpo que cai sem glúten) e confere ferro, vitamina D e vitamina B12. Também pede a densitometria óssea (exame que mede a resistência dos ossos) quando há risco de osteoporose.
O que fica com o nutricionista
O nutricionista transforma a dieta sem glúten em cardápio, lista de compras e leitura de rótulos. Ele mostra onde o glúten se esconde, como em molhos, embutidos e cerveja. Na cozinha, ensina a evitar a contaminação cruzada (glúten que passa de um alimento a outro) em tábuas e torradeiras.Arroz, milho, mandioca e quinoa são naturalmente sem glúten e entram na base do cardápio. A aveia comum costuma ser contaminada no beneficiamento (processamento industrial do grão), e a certificada é a opção avaliada com o nutricionista. O aviso «Contém glúten» é obrigatório nos rótulos vendidos no Brasil.Deficiências nutricionais e sintomas que voltam
Nas deficiências nutricionais, o médico avalia a necessidade de suplemento e o nutricionista monta refeições ricas em ferro, cálcio e folato.Quando a barriga volta a doer, o nutricionista revisa o diário alimentar atrás de glúten escondido. Sem falha na dieta, o especialista em doença celíaca procura outras causas, como a úlcera duodenal (ferida no início do intestino delgado). A investigação dessa ferida está no guia de tratamento da úlcera no duodeno.Esta seção foi revisada contra Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença.Como verificar a formação e a experiência do médico
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O número do CRM pode ser consultado no portal do Conselho Federal de Medicina, junto com a situação do registro. A busca pelo nome mostra se o médico está ativo e em qual estado atua. O mesmo cadastro informa as especialidades registradas, cada uma com seu RQE.
O que o RQE comprova
O RQE só é emitido para quem concluiu residência médica (treinamento prático de anos em hospital) ou obteve título de especialista. Na gastroenterologia, o título é concedido pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, após prova. Médicos sem RQE podem atender, mas não podem se anunciar como especialistas.Público atendido e experiência com o tema
O público atendido ajuda a decidir. Crianças ficam com o gastropediatra, que tem área de atuação registrada própria, e adultos com o gastroenterologista. Na consulta, vale perguntar ao especialista em doença celíaca quantos casos acompanha e como lê biópsia e sorologia.A endoscopia (exame que avalia esôfago) é outro ponto de experiência, porque a biópsia do duodeno exige vários fragmentos, incluindo o bulbo. Quem faz o exame com frequência também reconhece outras lesões do estômago, como mostra a investigação da úlcera gástrica pela endoscopia.Como a primeira consulta mostra o preparo
Uma primeira consulta bem conduzida revisa exames anteriores, pergunta sobre a dieta atual e explica a ordem dos próximos passos. Promessas de resultado rápido ou dietas prontas, sem exames, merecem desconfiança. Testes vendidos sem pedido médico, como painéis de intolerância, não substituem a sorologia nem a biópsia.O que levar e o que perguntar na primeira consulta
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Os exames de sangue antigos mostram como os anticorpos se comportaram ao longo do tempo. O laudo de cada um precisa trazer a data e o valor de referência do laboratório, porque os métodos variam entre laboratórios.
Documentos que ajudam na avaliação
Os laudos de endoscopia e biópsia já feitos entram na pasta, com o local onde as lâminas (vidros com o tecido) ficaram. A mesma endoscopia pode ter pesquisado a Helicobacter pylori (bactéria do estômago), tema da avaliação da infecção por Helicobacter pylori. A lista de remédios, vitaminas e suplementos em uso completa a documentação.Ajuda anotar quando os sintomas começaram, o peso dos últimos anos e os parentes com doença celíaca, diabetes tipo 1 ou tireoidite. Fotos de lesões na pele ajudam quando elas somem antes da consulta.Perguntas que valem a consulta
Vale perguntar ao especialista em doença celíaca o que cada resultado já disponível significa e quais exames ainda faltam. Outra dúvida comum é quem da família precisa de testes e com que intervalo.Depois do diagnóstico, as perguntas mudam para o acompanhamento. Quando repetir a sorologia (exame de sangue), quais vitaminas checar e quando entra o nutricionista são pontos a anotar.Acompanhamento pelo SUS e situações que pedem avaliação rápida
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A porta de entrada é a UBS (unidade básica de saúde), com o médico de família. Ele pede a sorologia e, se ela vier positiva, encaminha ao gastroenterologista pela regulação (sistema que organiza a fila de vagas). A espera varia conforme a região e a prioridade definida no pedido.
Como o Ministério da Saúde organiza o cuidado
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT, documento oficial de conduta) da Doença Celíaca, do Ministério da Saúde, orienta essas etapas. Depois do diagnóstico, o retorno costuma alternar entre o ambulatório de gastroenterologia e a UBS, conforme a estabilidade do quadro.Sinais que pedem atendimento sem demora
Perda de peso sem explicação, sangue nas fezes e vômitos persistentes levam ao pronto atendimento, mesmo com a dieta em dia. Diarreia intensa com desidratação pode ser a crise celíaca (perda rápida de água e sais pelo intestino), rara e grave. Queimação no alto da barriga com fezes escuras pode vir do estômago, como explica a avaliação especializada de gastrite (inflamação do estômago).Em crianças, parada no ganho de peso e apatia são sinais de alerta. Sintomas que voltam apesar da dieta podem indicar doença celíaca refratária (lesão que persiste mesmo sem glúten), investigada no serviço de referência. No pronto atendimento, informar o diagnóstico de doença celíaca ajuda a equipe a evitar glúten em remédios e na dieta hospitalar.Atendimento no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco
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A pessoa com doença celíaca costuma passar por vários profissionais ao longo dos anos. Numa estrutura multidisciplinar (equipe de áreas diferentes que trabalham juntas), as informações de cada consulta ficam reunidas e chegam a todos. O paciente deixa de repetir a própria história a cada novo profissional.
Como as áreas se conectam no acompanhamento
O gastroenterologista coordena o caso e lê a sorologia junto com o laudo do patologista. O nutricionista recebe o diagnóstico já confirmado e monta o cardápio a partir dos exames de ferro e vitaminas. Quando surgem lesões na pele ou perda óssea, o dermatologista e o endocrinologista entram com o histórico completo em mãos.O que muda para o paciente
A troca entre profissionais encurta o intervalo entre um exame e a decisão seguinte. Também reduz pedidos repetidos de exames e orientações que se contradizem.A Dra. Sabrina de Figueiredo atende em Gastroenterologia no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, ao lado de uma equipe multidisciplinar. Para iniciar a investigação ou rever um diagnóstico antigo, agende uma consulta de avaliação. Quando há engasgos ou alimento parando no peito, vale conhecer o atendimento para dificuldade de engolir.Agende sua avaliação com Dra. Sabrina de Figueiredo
Consulta com Dra. Sabrina de Figueiredo, Gastroenterologia, no corpo clínico do Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.
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Perguntas frequentes
Qual médico é especialista em doença celíaca?
O gastroenterologista é o médico de referência para adultos, e o gastropediatra (pediatra do aparelho digestivo) cuida das crianças. Ambos confirmam o diagnóstico e acompanham a evolução ao longo dos anos. Nutricionista, dermatologista e endocrinologista entram conforme a necessidade de cada pessoa.
A doença celíaca tem cura?
Não existe remédio que elimine a doença celíaca, porque a reação ao glúten acompanha a pessoa pela vida inteira. Com a dieta sem glúten bem feita, o intestino se recupera e os sintomas costumam desaparecer. Pesquisas testam medicamentos, mas nenhum substitui a dieta até hoje.
A doença pode aparecer na vida adulta?
Sim. A doença celíaca pode surgir em qualquer idade, inclusive em idosos que sempre comeram glúten sem problema. Infecções intestinais, gestação e cirurgias às vezes antecedem os primeiros sintomas, mas o motivo desse início tardio ainda é estudado.
Teste de farmácia ou exame de fezes confirma a doença?
Não. Testes rápidos de farmácia, exames de fezes e painéis de intolerância alimentar não confirmam nem afastam a doença celíaca. O diagnóstico depende da sorologia (exame de sangue que mede anticorpos), feita em laboratório. Na maioria dos casos, entra também a biópsia do duodeno (início do intestino delgado).
A endoscopia para biópsia dói?
A endoscopia digestiva alta costuma ser feita com sedação (remédio que deixa a pessoa sonolenta), sem dor durante o exame. Retirar fragmentos do duodeno não dói, porque essa parede do intestino não sente o corte. Depois, é comum ficar com leve incômodo na garganta e sonolência por algumas horas.
A doença celíaca é hereditária?
A predisposição passa de pais para filhos pelos genes HLA (marcadores herdados ligados à defesa do corpo). Herdar esses genes não basta, porque muitas pessoas com eles nunca desenvolvem a doença. Por isso, nos parentes próximos, o exame de sangue diz mais que o teste genético isolado.
Remédios e cosméticos podem ter glúten?
Alguns comprimidos usam amido de trigo como excipiente (ingrediente que dá forma ao remédio), e a bula informa a composição. Nos cosméticos, o cuidado vale para batom, pasta de dente e produtos que podem ser engolidos. Cremes e xampus na pele não ativam a doença, porque o glúten precisa chegar ao intestino.
A doença celíaca aumenta o risco de câncer?
Sem tratamento por anos, a doença eleva o risco de linfoma (câncer das células de defesa), que segue raro. Esse risco cai com a dieta sem glúten mantida com rigor. Sintomas que voltam apesar da dieta merecem reavaliação com o gastroenterologista.
Com que frequência o acompanhamento é feito?
Nos primeiros meses após o diagnóstico, os retornos são mais próximos para conferir sintomas, peso e exames. Com a doença estável, o retorno costuma ser anual, com sorologia e dosagem de vitaminas. Nas crianças, o crescimento também é medido a cada consulta.
Quem tem doença celíaca pode ter intolerância à lactose?
Sim, e isso é comum logo após o diagnóstico. Com as vilosidades (dobras que absorvem nutrientes) lesadas, o intestino produz menos lactase (enzima que digere o açúcar do leite). Muitas vezes essa intolerância melhora quando o intestino se recupera com a dieta sem glúten.